“Ok, Google. Me leve até o Anfiteatro do Cesa, na UEL”. Basta uma frase para o smartphone abrir o aplicativo da bigtech e traçar a melhor rota e até mostrar imagens como se você estivesse andando pelas ruas do campus da Universidade Estadual de Londrina. Com tanta tecnologia, que permite carregar o mundo inteiro dentro do bolso, os mapas foram mais um dos muitos objetos liquidados pelo mundo digital. A cartografia física reinou absoluta desde 2.300 A.C, na Mesopotâmia, até chegar ao saudoso Guia Quatro Rodas (1965 a 2014).
O uso no dia a dia perdeu relevância, porém os mapas históricos continuam a despertar o fascínio por transportar as novas gerações a um passado quando as explorações geográficas estavam em pleno curso, e muitas partes do planeta permaneciam desconhecidas ou mal mapeadas. Assim foi com os mapas que retratam o Paraná, desde quando a porção de terra era Quinta Comarca de São Paulo, depois, Província do Paraná, com a emancipação em 1853, até chegar à condição de Estado, após o fim do Império.
Para quem é aficionado por história e geografia do Paraná, boa parte de toda essa linha do tempo pode ser conferida na Exposição Mapas Históricos do Paraná, que segue até 3 de novembro no Anfiteatro do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa) da UEL. O visitante encontra, em detalhes, informações contidas em 12 mapas entre 1876 até 1948. A exposição é uma iniciativa conjunta do Cesa e do Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica (NDPH), com o objetivo de contribuir para estimular reflexões sobre a formação do Estado do Paraná, no 170º aniversário de emancipação.
Primeiros mapas
O primeiro dos mapas é de 1876, ano em que o imperador Dom Pedro II, em viagem aos Estados Unidos, testou o telefone e, incrédulo, exclamou ao inventor Alexandre Graham Bell: “Meu Deus, isto fala!”. Naquele ano, o Paraná tinha pouco mais de 120 mil habitantes, concentrados principalmente no litoral, e na região de Curitiba e nos campos de Ponta Grossa e Guarapuava. Começava-se ali a planejar a interligação das regiões paranaenses pelas estradas de ferro. No Norte do Estado, apenas a Colônia Militar de Jatahy, hoje Jataizinho, recebe menção.No segundo mapa, de 1881, já constam os primeiros núcleos de colonização do Norte Pioneiro: São José do Cristianismo e São José da Boa Vista, ocupada por migrantes de Minas Gerais. De acordo com os historiadores, a cartografia retrata a expansão das regiões dos arredores de Curitiba, do litoral e de Ponta Grossa com a chegada dos imigrantes.

A viagem pelo tempo segue com as mudanças no território do Contestado, a expansão do Norte, primeiro no Norte Pioneiro e, a partir dos anos 1930, na nova região que tinha Londrina como sede. Os mapas mostram também a criação e extinção do Território de Guaíra, nos anos 1940, que tomava todo o Oeste do Paraná. O último mapa da exposição é de 1948, com destaque para hidrografia, malha viária e divisão administrativa do Estado.
Versão digital
De acordo com a UEL, para a realização da exposição Mapas Históricos do Paraná, foram analisados materiais bibliográficos disponibilizados por acervos do Museu Paranaense, da Secretaria de Estado da Cultura, do Museu Ferroviário, da Biblioteca Pública do Paraná e de particulares.
A exposição se estenderá até o dia 3 de novembro, com apresentações, painéis temáticos e seleções de imagens e textos relacionados à história do estado. Parte do conteúdo também está disponível na internet.
Confira:






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